O ano de 2018 foi muito ruim para nós milheiros, pois foram inúmeras mudanças negativas nos programas. Você lidar com programas de fidelidade é sempre muito complicado em função da falta de transparência e imprevisibilidade.

Também não é correto dar uma solução genérica ao caso, uma vez que cada um tem uma necessidade diferente. Então, nesse artigo, eu irei abordar o meu padrão e fazer o desvio a partir daí.

No meu caso específico tudo começou a partir de 2006 quando então comecei a fazer viagens mais frequentes e nessa época o meu objetivo era poder viajar de classe executiva com o menor custo possível ou próximo disso com benefícios (Escolha de Assentos, Prioridade, Acesso a Lounge).

No início eu escolhi a American Airlines, mesmo o Latam Fidelidade sendo mais generoso em termos de pontos naquele tempo e com bons resgates, mas a American tinha uma utilidade que poderia ser garantida pelo resto da vida.

Com isso eu consegui obter o Lifetime Platinum da AA, que é a linha de chegada do programa, pois já não existe mais nenhum incentivo a partir daí, então eu tracei um novo objetivo, o de alcançar o Star Alliance GOLD, que é possível com 1 milhão de milhas da United.

Mas por que isso? Porque no futuro quando precisar viajar em classe econômica, poder dispor de 2 categorias elites em 2 alianças diferentes, sendo que em uma já está assegurado.

De certa forma esse trajeto escolhido foi providencial, uma vez que os programas brasileiros estão cada vez piores. Então, independente do objetivo, o ideal sempre foi escolher um programa americano para acumular pontos, pois esses são os programas que apresentam a maior previsibilidade e estabilidade nas regras e sempre com aviso prévio para qualquer mudança.

Atualmente dentre os programas americanos, todos os três maiores são bem parecidos, destacando-se o AAdvantage e o Mileageplus, cada um com sua desvantagem. A desvantagem do AAdvantage passa a ser o gasto mínimo exigido de 15 mil dólares até mesmo para brasileiros, algo em torno de 60 mil reais para se chegar no Executive Platinum, enquanto que o MileagePlus não tem essa exigência, porém só permite upgrade de cabine nas tarifas W e acima te forçando a pagar um pouco mais na classe econômica.

Nesse embate ganha hoje o MileagePlus que tem tarifas na classe W atraentes para a Ásia e Europa, facilitando assim o upgrade, além de oferecer mais níveis de Lifetime acima do 1º milhão de milhas voadas. É possível conseguir o Global Services com 4 milhões de milhas voadas, enquanto na AA o status correspondente de Concierge Key é alcançado somente mediante convite ou compra do AAir Pass no valor de 60 mil dólares ou acima. 

Então, atualmente, eu me pergunto 3 coisas:

1 – Qual o destino mais frequente?

2 – Qual programa melhor atende essas rotas?

3 – Qual desses pode trazer melhor retorno?

No meu caso específico as resposta são respectivamente Ásia-Pacífico e EUA, AAdvantage e MileagePlus, e por fim MileagePlus. Você traça o que quer fazer, depois coloca as cartas na mesa e vai eliminando uma a uma de forma achar aquela que irá melhor te beneficiar.

A melhor coisa é sempre comprar a passagem aérea mais barata e com status lifetime nas duas alianças mais fortes é possível fazer isso para o resto da vida. Caso o melhor valor seja via OW eu tenho o status OW Safira para diminuir as intempéries de uma viagem, e se for Star Alliance será o Star Gold, o qual estou trabalhando para adquirir.

Tendo em vista todas essas exigências, necessidades e objetivo fica claro que no meu caso é melhor beneficiar a United Airlines e parceiras na escolha de viagem daqui para frente ao invés das demais, no entanto “beneficiar” não quer dizer ser “exclusividade” ou ser escravo da mesma.

Agora vamos para os demais perfis. Para estabelecer a melhor linha para você aconselho a se fazer as mesmas 3 perguntas, e supondo que sua resposta seja por exemplo Estados Unidos ou Europa você terá muitas opções inclusive programas nacionais. 

Para quem viaja frequentemente para os EUA a melhor aliança é a Oneworld, logo não existe melhor opção do que o AAdvantage ou o Multiplus, porém a recomendação é justamente o AAdvantage porque por mais que exija quase 60 mil reais para alcançar o Executive Platinum o seu concorrente estará exigindo mais ainda no próximo ano conforme matéria publicada aqui

Agora, é preciso apontar as exceções, vamos supor que sua empresa só te manda para os EUA via Avianca Brasil, aí já recomendaríamos pontuar no MileagePlus ou Lifemiles, porque se você pontuar no Amigo irá no máximo resgatar uma ponte aérea doméstica.

E a partir dessas variações que você deve tentar entender e verificar qual seria o melhor programa de fidelidade para você, lembrando que o melhor não é somente aquele que te dá mais milhas ou traz upgrades ilimitados, mas sim aquele que tem uma mistura boa entre acumular milhas, benefícios elite e pertencer a uma aliança forte.

Quem voa trechos no Brasil da Latam uma opção interessante seria talvez utilizar a S7 ou a Royal Jordanian que tem requerimentos baixos para se chegar ao Oneworld Emerald, mas é preciso observar a contagem de trechos mínimos a ser realizado naquelas cias, 1 para a S7 e 4 para a RJ. Esses números podem ainda estar desatualizados, então pedimos que tirem a dúvida com a cia aérea antes de decidir pontuar neles.

Você pode ver que tudo depende do perfil de cada um, sua necessidade, e objetivo. Se alguém quer ganhar muitos pontos voando pelo Brasil pode escolher a Latam, pontuar no Multiplus e pegar um cartão de crédito co-branded, e o mesmo raciocínio serve tanto para o Smiles e TudoAzul com a GOL e a Azul.

E ainda existem aqueles que só querem pontos para viajar, ou seja, não viajam a não ser que sejam de pontos, nesse caso o seu programa é “dinâmico”. Se o seu resgate for na Oneworld, veja qual a menor pontuação da rota e transfira os pontos para lá, se for no AAdvantage que não aceita transferência, melhor pegar um cartão de crédito do Santander co-branded.

Já se for utilizar qualquer um dos programas nacionais sempre espere por uma promoção de bônus na transferência com o seu trecho já em mente para emissão, por isso nunca recomendamos transferir os pontos para usar daqui a um tempo significativo justamente para evitar o que aconteceu com muitos no caso da Avianca, que teve aumentos na sua tabela de resgate em até 300%.

É importante que você entenda o ambiente de fidelidade como uma grande vitrine de shopping onde você possa comparar preços de rotas, liquidações, e bônus de forma a te ajudar naquilo que você quer fazer, e não somente transferir por causa dos bônus, até porque esses na maioria das vezes tem curta data de validade.

Então depois de tudo isso qual a melhor estratégia para programas de fidelidade para 2019? “Free Agent”, ir de acordo com o seu bolso. Pontuar naquele programa que você terá um uso futuro breve para ele e que impacte da melhor forma possível nas suas finanças. 

Tente evitar os clubes de pontos, a não ser que esse traga uma vantagem expressiva para você. De todos os clubes atualmente o único que consideramos bom é o Clube Livelo, e pode ser que em 2019 sejamos apresentados ao Clube Esfera e Clube Sempre Presente o que de fato pode trazer um pouco mais de competitividade.

Obviamente que não é um assunto simples, logo tentamos tratar aqui as situações mais comuns e sugerindo variações após essas. Se você tiver alguma dúvida deixe nos comentários e vamos tentar ajudar na sua escolha, e se você quiser um levantamento completo podemos fazer consultoria personalizada a respeito com base na sua vida.

Pela leitura extensa até aqui você já sabe que a minha estratégia para 2019 é o MileagePlus da United, utilizando o AAdvantage como backup, e as bonificações de cartão de crédito para os programas nacionais para “emissões de oportunidade”. E você? Já tem uma estratégia traçada ou ainda está indeciso? 

Obs.: É de extrema importância que você sempre acumule pontos em todos os programas, mesmo que não seja de sua preferência. Por exemplo quando for comprar créditos do UBER no Smiles ou fazer a compra numa promoção de pontos online. Mesmo que você não utilize o programa oferecedor dos pontos, acumule os, pois por mais que possa parecer pouco você não deve recusar pontos em hipótese alguma, ainda que isso lhe dê um pouco mais de trabalho.