Como todos já sabem, a partir de 15 de Janeiro de 2020 entrará em vigor o novo regulamento da Azul, o qual já discorremos sobre aqui. Essa mudança foi péssima para o cliente, causa insegurança e não combate o comércio de milhas.

O grande argumento utilizado pela empresa, como já muito bem divulgado em larga escala, para a alteração no regulamento na questão de limitação de emissão de passagens prêmio para terceiros é o combate ao comércio de milhas e pontos.

Porém esse argumento é falho, pois tal alteração não combate de verdade o comércio de milhas e pontos. Vamos falar a verdade aqui, todos sabem que quem fabrica milhas para vender já estava antenado nessas mudanças e utiliza várias contas, e não somente a sua pessoal.

Além disso, é de alta suspeita pública, pois não temos como comprovar tal fato, que a Azul vende lotes de pontos para grandes operadores de milhas e pontos no mercado. Essa informação, embora não seja comprovada por questões de confidencialidade é de conhecimento notório de grandes players e funcionários da empresa, os quais já repassaram essa informação em “OFF” diversas vezes.

Essa alteração prejudica a pessoa que confia no programa da cia aérea, e é impedida de utilizar os seus pontos da forma como quer. Muitos concentram as milhas e pontos numa conta só para facilitar o uso dos pontos, uma vez que várias contas com poucas pontuações não levam a lugar algum.

Analisando de forma um pouco mais profunda, tem se a impressão de que a empresa quer dificultar o uso dos pontos por parte de todos o usuários. Um excelente exemplo é o do José, que tem uma pequena empresa e gasta bem no cartão da Azul, e com isso tem muitos pontos lá. Quando seus funcionários precisam viajar ele emite passagens com pontos, porém com a nova limitação, ele só poderá ter apenas 1 funcionário cadastrado para evitar de “queimar” a vaga de alguém da sua família. Com isso a empresa aérea dificulta o uso dos pontos por parte de alguém que NÃO comercializa milhas e aproveita a sua fidelidade para utilizar a contra-partida até então prometida pela cia aérea.

Maria e José são irmãos e decidiram fazer apenas um cartão para suas famílias com a finalidade de conseguir pontos e utilizar as promoções, que tem sido generosas, para viajar pelo menos 1 vez ao ano. Mas Maria tem 2 filhos e José tem apenas 1 e é o titular da conta. José poderá emitir para ele, seu filho, sua esposa, sua irmã Maria, e os seus dois sobrinhos que são filhos de Maria, mas o marido da Maria e pai das crianças ficará de fora, porque não existe mais limite, isso já descontando o filho de José que não entra no cômputo. Mais uma vez quem saiu prejudicado foi a pessoa que confiou na fidelidade da empresa.

Dados esses dois exemplos vem a pergunta do advogado do diabo: Mas esse é um nicho super reduzido, e quem quer emitir mais quer vender, e você apoia tal prática que só vem prejudicando os programas de fidelidade? 

Ora, para essa pergunta existem dois caminhos de resposta, a primeira é que sim, com ressalvas, uma vez que o comércio informal de milhas não prejudica em nada os programas, mas sim as grandes movimentações por empresas legalmente constituídas que trabalham com isso.

Já a outra seria que não, também com ressalvas, pois você não pode prejudicar vários clientes com o objetivo de acabar com uma “suposta” prática de alguns. 

A verdade é que as cias aéreas estão se incomodando com o fato de estarem perdendo o lucro na expiração de milhas e pontos. Com o surgimento dos sites especializados, cursos, consultorias, e outros métodos que levam a educação das milhas e pontos a várias pessoas, muitos estão evitando a expiração de sua pontuação, seja utilizando para emissão de passagens, trocando por produtos, ou até mesmo vendendo. E essa “expiração protelada” causa um enorme prejuízo a empresa de fidelidade, pois aquele suposto passivo que some do dia para noite se transforma numa dívida no momento que o cliente resgata seus pontos.

É muito simples caso a empresa aérea ou de fidelidade queira combater o comércio de milhas e pontos em larga escala. Primeiramente tenha coragem e entre na justiça contra empresas e não pessoas, alegando que aquele tipo de atividade comercial não pode prosperar em função dos seus argumentos e deixe que a Justiça decida.

Caso não queira entrar na Justiça, que pare de comercializar pontos com essas empresas, e se já pararam ou nunca fizeram tal prática, que limitem a venda de pontos, transferência com bônus e afins que alavancam a pontuação com a intenção de vender, pois alguém que compra 500 mil pontos livelo e transfere com bônus de 100% para o TudoAzul objetivando o saldo final de 1 milhão de pontos não está somente pensando na viagem da família, por outro lado, pode até existir alguém com esse perfil que queira levar uma grande família em viagem, mas esse ônus não pode recair sobre o cliente.

No fim das contas, a empresa acaba punindo a fidelidade de todos em detrimento de uma justificativa falaciosa, que sabemos será ineficaz dentre as atuais condições já praticadas. Será interessante ver as pessoas abandonando os clubes, as transferências e compras de pontos, e qual será a reação da Azul frente a isso. Mas será que isso irá ocorrer? Porque ainda existem muitos com pouco conhecimento sobre milhas e pontos, e os programas acabam tirando maior proveito com essas pessoas. Deixe nos comentários o seu palpite sobre o futuro do programa TudoAzul.