Quem está começando no mundo das milhas geralmente acumula pontos no cartão de crédito sem saber direito o que fazer com eles. E é justamente aí que mora a decisão mais importante dessa jornada: entender como funciona a transferência dos pontos do banco para os programas de fidelidade das companhias aéreas. É esse movimento que costuma transformar pontos comuns em viagens de verdade.

Primeiro, entenda a estrutura. Os pontos que você ganha nas compras ficam, em regra, no programa do banco ou do próprio cartão. Esses pontos são flexíveis: podem virar cashback, produtos, pagamento de fatura ou milhas aéreas. Já as milhas vivem nos programas das companhias, e são elas que pagam passagens. A transferência é a ponte entre os dois mundos, e ela é quase sempre um caminho sem volta: uma vez no programa aéreo, os pontos não retornam ao banco.

Por isso, a regra de ouro dos iniciantes é não transferir sem objetivo. Pontos no banco são como dinheiro na carteira, servem para qualquer programa parceiro. Depois da transferência, viram moeda de um programa só, sujeitos às regras e à validade dele. O momento certo de transferir é quando você já sabe qual passagem quer emitir, ou quando aparece uma transferência com bônus que faça sentido para seus planos, e não simplesmente porque o saldo cresceu.

O processo em si é simples. No site ou aplicativo do programa do banco, você escolhe o programa aéreo de destino, informa o número da sua conta de fidelidade e a quantidade de pontos. Antes de confirmar, confira com cuidado se o nome e o número da conta de destino estão corretos e se a titularidade é a mesma, porque transferências entre pessoas diferentes normalmente não são permitidas. Os prazos variam: algumas transferências caem em minutos, outras levam dias, e essa informação aparece nas condições da operação.

Fique atento à proporção de conversão. Nem todo ponto vale uma milha: dependendo do programa e do cartão, a conversão pode ser mais generosa ou menos favorável. É aqui que entram os bônus de transferência, períodos em que os programas oferecem um percentual extra para atrair seus pontos. Para quem tem um plano de uso, o bônus pode aumentar bastante o poder de compra do saldo. Para quem não tem, continua valendo a regra de ouro: bônus não é motivo para transferir sem destino.

Antes da primeira transferência grande, faça um teste com uma quantidade pequena para conhecer o fluxo e os prazos. E mantenha suas contas protegidas com senhas fortes e verificação em duas etapas quando disponível, porque saldo de pontos também atrai golpista.

Dominar a transferência é o primeiro degrau para viajar melhor gastando menos. Com objetivo definido, atenção às proporções e calma para esperar o momento certo, seus pontos deixam de ser um número esquecido na fatura e viram embarque marcado.