Fui chamado a atenção de um leitor por não ter divulgado antes a troca da aeronave que faz a operação entre Rio de Janeiro e Nova York, o voo 973/974 da American Airlines. Em certos assuntos acredito que a pressa não é tão importante, mas a qualidade do conteúdo da informação, e chegar aqui só para anunciar isso acredito ser não tão importante como o que será escrito aqui agora.
Pois bem, muitos já sabem que após o período de férias de julho de 2017, a American passará a utilizar a aeronave Boeing 767-300 Retrofit no lugar do Boeing 777-200, até a próxima temporada de férias que começa em 14 de Dezembro de 2017. Mas por que isso? Porque a American não gosta do Rio Galeão? Quer punir os cariocas?
A explicação é bem simples: “Torcida”. A Atual administração da American está agindo como se a empresa fosse um time de futebol, e toma atitudes e torce para que dê certo. No caso do Rio Galeão, a ocupação dos voos estão muito baixa, mas ao invés de reduzir o valor da passagem aérea a administração corta a operação para manter os preços. Engraçado que quem noticiou a mudança da aeronave no período entre férias não falou nada sobre o corte do voo extra de Miami o AA990/901, que será suspenso logo antes mesmo do carnaval no dia 15 de Fevereiro de 2017, e só retornará no fim do ano dia 16 de Dezembro de 2017.

Com isso a American prefere sacrificar a operação a reduzir o custo para o passageiro, e ficam torcendo para dar certo, coisa que eu afirmo aqui que não logrará êxito. O resultado da cia aérea do último trimestre de 2016 foi decepcionante, com lucro de apenas 1.3% numa tendência de queda no que indica que o próximo trimestre está bem próximo de voltar ao prejuízo. Daí eu pergunto? Será mera coincidência? Pois a AA vinha batendo recorde atrás de recorde até o meio do ano quando então mudou o seu programa, ou “destruiu” como alguns preferem.
Ontem cheguei a participar de um Conference call com a AA justamente sobre o corte do voo 990/901, que é mais importante do que a troca da aeronave, e o pessoal justificou justamente pela baixa ocupação de voo, e no final da ligação abriram a palavra como sempre fazem, e a minha sugestão foi reduzir valor das passagens, e evitar a sangria do programa mudando pelo menos alguns aspectos simples como isentar os não residentes nos EUA do gasto mínimo como faz a Delta e United, e dar um bônus de milhas nessas rotas com baixa ocupação, e qual foi a resposta? A pessoa responsável alegou que eu não sei de nada, e que o programa nada tem a ver com a baixa ocupação. Então eu disse que realmente não sei de nada, mas que assim como eu por exemplo que gastava muitas das vezes do nada, sem qualquer motivo aparente para viajar, com o único e exclusivo objetivo de fazer milhas, existiam outros passageiros da mesma forma, e que essa origem de fundos simples parou, sumiu, acabou. Mais uma vez a resposta do responsável foi de que isso não representa nem 15% da fonte da empresa, ou seja, a administração atua de modo a torcer que o cliente continue viajando com a American mesmo após essa mudanças que forçam o cliente a se afastar, e para terminar eu citei os 3 PRCs (Péssima Receptividade ao Consumidor, Preço Ruim ao Consumidor, e Programa Ruim ao Consumidor) que a American segue, e por isso a situação só vai ficar ruim para eles daqui para frente.
O que eu acho engraçado é que tudo que eu indico ou aponto sou desqualificado pela administração da empresa, como leigo, ou “adivinhador”, mas eles mesmos não conseguem enxergar que a atual administração está agindo como torcida de futebol, ou seja, se a ocupação está baixa, corta o voo, troca a aeronave, mas mantém o preço, e se mesmo assim tá baixo, vamos lançar a cabine econômica básica com valores menores, e a econômica premium com valores maiores e torcer para entrar dinheiro. Basicamente tudo é feito “torcendo” para que dê certo. O Blog americano The Points Guy reportou que a AA está “esperando” 1 Bi adicional de dólares com a introdução da econômica básica e premium, mas parece que eles se esquecem da competição, e daí ficam na torcida.
Ainda estou na Tailândia, e enquanto as cias do continente americano brigam para ver quem vai ganhar mais dinheiro com a eliminação de mais benefícios aos passageiros, aqui as cias aéreas brigam para ver quem oferece mais benefícios ao valor mais em conta. Comentei no Snapchat, onde mostrei um lounge simples da classe econômica de uma low cost, veja você, uma low cost a um valor total de quase 50 dólares de passagem oferece milhas ou pontos completos em seu programa de fidelidade, refeição completa a bordo, e ainda um lounge para passageiros da classe econômica, enquanto que as americanas querem pelo mesmo valor oferecer nada, talvez que você vá em pé no avião.
É uma diferença absurda, principalmente quando você nota que a exceção acontece do ocidente para o oriente, basta observar a linha, começa pelas cias asiáticas, depois as do Oriente Médio, enfim Europa, e finalmente Americanas, numa decadência gradativa. E depois as cias americanas se reunem e ficam chorando para o governo pela competição desleal, mas desleal por quê, se todas oferecem o mesmo preço? Ora com 21 mil dólares americanos você prefere viajar de Etihad ou de American Airlines de Nova York para Sydney em Primeira Classe? É só uma constatação, e podemos dar outros milhares de exemplo, e até os americanos estão preferindo as demais ao invés da American, e não venham me dizer que a “destruição” do AAdvantage não teve nada a ver com isso, pois era a única coisa que prestava na empresa.
Então é isso, tudo isso para demonstrar que a troca de aeronave por si só é o fator menos importante nessa complexa equação e revela uma tendência de torcida por parte da empresa, que prefere implementar coisas e torcer para que dê certo, ao invés de ouvir o feedback de seus clientes e consertar o que já está errado. Mas como disseram eles mesmos, quem sou eu para dizer alguma coisa, apenas mais um curioso palpiteiro que nada entende disso, e enquanto isso eles vão cortando rotas, mudando avião, implementando cabines novas “torcendo” para que dê certo, e que o próximo resultado trimestral permita a eles dizer: “Tá vendo só? Eu não disse?”. Espero que quem me chamou atenção fique satisfeito com o conteúdo desse artigo, em que tento explicar não só a notícia, mas os motivos dela, informações adicionais, e a tendência futura da cia aérea. Apesar de ainda ter alguns voos com  a empresa, a American morreu para mim, e já nem pontuo mais no programa deles, embora possa ser vantajoso em alguns casos, porém decidir abandonar de vez essa cia aérea que tem tão pouco respeito por quem mais faz uso dela. E você? Concorda com a American que somos apenas um palpiteiro curioso e que se acertarmos sobre o futuro da empresa é porque somos videntes?
*Imagem retirada da internet.