Cartão de crédito que acumula milhas é um dos assuntos que mais geram dúvida entre quem está entrando nesse mundo. As propagandas prometem viagens, salas vip e um monte de vantagens, mas será que o cartão realmente compensa para você? A resposta depende muito menos da fama do cartão e muito mais do seu perfil de gastos. Vamos ver como fazer essa avaliação com os pés no chão.
O primeiro número que você precisa olhar é a anuidade. Muitos cartões que rendem milhas cobram uma taxa anual, às vezes parcelada em doze vezes. A pergunta-chave é: o valor em pontos que eu vou acumular ao longo do ano compensa o que eu pago de anuidade? Se você gasta pouco no cartão, é bem possível que a anuidade coma todo o benefício, e aí um cartão sem anuidade, mesmo que renda menos, acabe sendo mais inteligente.
Em seguida, vale entender quanto o cartão rende por real gasto. Os cartões costumam oferecer uma quantidade de pontos para cada real ou para cada dólar gasto. Cartões com anuidade mais alta geralmente rendem mais por gasto, mas isso só vale a pena se o seu volume de gastos for suficiente para aproveitar esse acúmulo maior. Fazer essa conta com os seus gastos reais, e não com os gastos que você imagina ter, evita decepção.
Os benefícios extras também entram na balança, mas com cuidado. Sala vip, seguro viagem, isenção de anuidade por gasto mínimo e acesso a promoções podem valer muito para quem usa, e nada para quem não usa. Não adianta pagar caro por uma sala vip se você viaja uma vez por ano. Liste apenas os benefícios que você realmente vai aproveitar e ignore o resto na hora de decidir.
Outro ponto que muita gente esquece é a disciplina financeira. Um cartão de milhas só vale a pena se você paga a fatura integralmente todo mês. Os juros do crédito rotativo são altíssimos e fazem qualquer benefício de pontos virar pó. Se existe o risco de você se enrolar e pagar juros, nenhum cartão de milhas compensa. Nesse caso, o melhor negócio é organizar as finanças primeiro e pensar em pontos depois.
Desconfie também das avaliações que dizem que um cartão é o melhor para todo mundo. Não existe cartão perfeito universal; existe o cartão certo para o seu caso. Um ótimo cartão para quem gasta muito e viaja com frequência pode ser péssimo para quem tem gastos modestos. Por isso, em vez de procurar o melhor cartão do mercado, procure entender qual se encaixa na sua realidade.
No fim, avaliar um cartão de milhas é um exercício de honestidade com os seus próprios números. Pegue o quanto você gasta, o quanto pagaria de anuidade, o quanto renderia e os benefícios que de fato usaria. Com essas contas na mão, a decisão fica muito mais clara e você foge das armadilhas do marketing. Escolher bem o cartão é o primeiro passo para fazer as milhas trabalharem a seu favor.
